Transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva: o que encontramos sobre sua prevalência no mundo
O transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva, conhecido como TPOC, é uma condição caracterizada por padrões persistentes de perfeccionismo, rigidez, necessidade de controle e preocupação excessiva com regras, organização e desempenho.
Apesar de ser reconhecido há mais de um século, ainda existem menos estudos epidemiológicos sobre o TPOC do que sobre outras condições psiquiátricas.
Foi justamente essa lacuna que buscamos investigar no estudo “A meta-analysis and meta-regression analysis of the global prevalence of obsessive-compulsive personality disorder”, publicado em 2022 na revista Heliyon, do qual participei como autor.
O que analisamos no estudo?
Nosso objetivo foi estimar a prevalência do TPOC em diferentes populações ao redor do mundo.
Para isso, reunimos dados de 46 artigos científicos, totalizando 89.264 indivíduos. A partir dessas informações, utilizamos modelos estatísticos de meta-análise e meta-regressão para combinar os resultados e avaliar possíveis fatores associados às diferenças entre os estudos.
Qual foi a prevalência encontrada?
A prevalência global estimada de TPOC foi de aproximadamente 6,5%, com intervalo de confiança de 95% entre 4,3% e 9,1%.
Também observamos taxas mais elevadas em populações psiquiátricas e clínicas, o que reforça a importância de reconhecer esse transtorno em contextos de saúde mental.
Outro dado relevante foi a estabilidade das taxas de prevalência ao longo dos 28 anos abrangidos pelos estudos analisados.
Idade e sexo fazem diferença?
Na análise, não identificamos um efeito significativo relacionado ao sexo.
Por outro lado, os dados sugeriram que a prevalência do TPOC pode diminuir com o aumento da idade, embora essa relação precise ser interpretada com cautela.
Por que esses dados são importantes?
Conhecer a prevalência de um transtorno ajuda a dimensionar seu impacto, orientar pesquisas e melhorar estratégias de diagnóstico e acompanhamento.
No caso do TPOC, nosso estudo também reforça a necessidade de novos trabalhos epidemiológicos utilizando critérios diagnósticos mais atuais.
Para quem quiser co
nhecer os detalhes da pesquisa, o artigo completo pode ser acessado em A meta-analysis and meta-regression analysis of the global prevalence of obsessive-compulsive personality disorder.
Compreender melhor a frequência do TPOC é um passo importante para reconhecer seus impactos e ampliar a qualidade da avaliação clínica.
Fonte: https://www.cell.com/heliyon/fulltext/S2405-8440(22)01200-2
Dr. Anderson Silva
CRMSP 152951 - RQE 61217
- Mestre pelo Departamento de Psiquiatria da USP;
- Médico Psiquiatra Assistente do Hospital Sírio-Libanês;
- Professor Associado da Faculdade de Medicina de Santo Amaro;
- Membro da International Association for Child and Adolescent Psychiatry and Allied Professions (IACAPAP);
- Coordenador dos Cursos de Pós-graduação em Psiquiatria e Psiquiatra da Infância e Adolescência da Pós Médica/FABIN 2023 a 2026;
- Psiquiatra no Projeto PROADI-SUS da Telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein 2020 a 2026;
- Professor de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade 9 de Julho 2019 a 2021;
- Supervisor da Residência de Psiquiatria da Secretaria Municipal de São Bernardo do Campo 2018 a 2020;
- Editor Adjunto da Revista Debates em Psiquiatria 2022 a 2023;
- Especialização em Saúde Mental da Infância e Adolescência pela Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência da UNIFESP;
- Especialização em Dependência Química na USP;
- Titulo de Especialista em Psiquiatria pelas Associações Brasileira de Psiquiatria e Médica Brasileira;
- Cursos em The Harvard Medical School: Psychiatry 2014 e Psychopharmacology: A Masters Class(2015);




