Tabagismo e cultivo de tabaco: o que observamos sobre essa relação

8 de outubro de 2026

O tabagismo continua sendo um dos grandes desafios de saúde pública no mundo. Além dos impactos sobre a saúde, o consumo de tabaco também está associado a importantes consequências sociais e econômicas.



Foi dentro desse contexto que participei do estudo “Tobacco growing and tobacco use”, publicado em 2022 na International Review of Psychiatry.

O que buscamos entender?


Nosso objetivo foi mapear algumas das principais regiões produtoras de tabaco no mundo e comparar essas áreas com as taxas de consumo de tabaco.


Analisamos países com participação importante na produção mundial, entre eles Estados Unidos, Brasil, China, Indonésia, Índia e Zâmbia.

O ponto central era compreender se poderia existir uma relação entre a presença econômica e social do cultivo do tabaco e o comportamento de consumo nessas populações.


O cultivo de tabaco pode influenciar o consumo?


De forma geral, observamos que regiões com forte presença da produção de tabaco também apresentavam taxas relevantes de tabagismo.


A Índia apareceu como uma exceção importante, embora alguns grupos populacionais tenham demonstrado tendência de crescimento no consumo de tabaco.


Esse achado não significa que o cultivo de tabaco, isoladamente, seja responsável pelo hábito de fumar. O tabagismo é influenciado por fatores culturais, econômicos, sociais e individuais.


No entanto, a proximidade com a cadeia produtiva pode aumentar a exposição ao produto, normalizar seu uso em determinadas comunidades e dificultar a adesão a políticas de controle do tabaco.


Por que esse tema importa?


Milhões de pequenos agricultores em diferentes partes do mundo dependem economicamente do cultivo da folha de tabaco.


Por isso, qualquer estratégia de redução do tabagismo precisa considerar também a realidade dessas famílias.


Uma das reflexões trazidas pelo estudo é justamente a necessidade de desenvolver alternativas economicamente viáveis para os produtores rurais, permitindo que políticas de controle do tabaco avancem sem ignorar os impactos sociais envolvidos.



Para quem quiser conhecer os detalhes da pesquisa, o artigo está disponível em Tobacco growing and tobacco use.


Estudar o tabagismo exige olhar não apenas para quem fuma, mas também para toda a cadeia econômica, social e cultural que existe em torno do tabaco.


Fonte: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/09540261.2022.2034602


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Dr. Anderson Silva

CRMSP 152951 - RQE 61217


  • Mestre pelo Departamento de Psiquiatria da USP;
  • Médico Psiquiatra Assistente do Hospital Sírio-Libanês;
  • Professor Associado da Faculdade de Medicina de Santo Amaro;
  • Membro da International Association for Child and Adolescent Psychiatry and Allied Professions (IACAPAP);
  • Coordenador dos Cursos de Pós-graduação em Psiquiatria e Psiquiatra da Infância e Adolescência da Pós Médica/FABIN 2023 a 2026;
  • Psiquiatra no Projeto PROADI-SUS da Telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein 2020 a 2026;
  • Professor de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade 9 de Julho 2019 a 2021;
  • Supervisor da Residência de Psiquiatria da Secretaria Municipal de São Bernardo do Campo 2018 a 2020;
  • Editor Adjunto da Revista Debates em Psiquiatria 2022 a 2023;
  • Especialização em Saúde Mental da Infância e Adolescência pela Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência da UNIFESP;
  • Especialização em Dependência Química na USP;
  • Titulo de Especialista em Psiquiatria pelas Associações Brasileira de Psiquiatria e Médica Brasileira;
  • Cursos em The Harvard Medical School: Psychiatry 2014 e Psychopharmacology: A Masters Class(2015);
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