Benzodiazepínicos e sono: o que observamos sobre seus efeitos na arquitetura do sono

8 de outubro de 2026

Quando falamos sobre insônia, uma das questões mais importantes é entender que dormir não significa apenas permanecer mais horas na cama.


A qualidade do sono também depende da forma como suas diferentes fases se organizam ao longo da noite.



Foi justamente essa relação que analisamos no estudo “Benzodiazepines and sleep architecture: a systematic review”, publicado em 2023 na revista CNS & Neurological Disorders - Drug Targets, do qual tive a oportunidade de participar como autor.

O que é a arquitetura do sono?


Durante a noite, passamos por diferentes fases, principalmente o sono NREM e o sono REM. Essas etapas se alternam em ciclos e exercem funções distintas para o organismo e para o cérebro.


Por isso, quando avaliamos a qualidade do sono, não devemos considerar apenas quantas horas uma pessoa dormiu ou quantas vezes acordou. A distribuição adequada dessas fases também faz parte de um sono fisiologicamente organizado.


O que observamos sobre os benzodiazepínicos?


Os benzodiazepínicos são medicamentos utilizados em diferentes contextos clínicos e podem ser prescritos para pacientes com dificuldade para iniciar ou manter o sono.


Na revisão, analisamos estudos clínicos realizados em humanos para entender de forma mais específica como esses medicamentos interferem na arquitetura do sono.


Observamos um padrão importante: os benzodiazepínicos tendem a aumentar o estágio 2 do sono NREM e, ao mesmo tempo, reduzir o tempo dos estágios mais profundos do sono, especialmente os estágios 3 e 4. Também identificamos redução do tempo de sono REM.


Essas alterações ajudam a compreender por que alguns pacientes podem relatar uma percepção de melhora do sono, principalmente pela redução de despertares durante a noite.


Dormir melhor significa apenas acordar menos?


Não necessariamente.


Esse é um ponto que considero especialmente relevante. A sensação de ter dormido melhor pode existir, mas isso não significa que toda a estrutura fisiológica do sono esteja sendo preservada.


Quando avaliamos o sono, precisamos olhar para o conjunto: duração, despertares, profundidade, continuidade e distribuição das diferentes fases ao longo da noite.


Por isso, o uso de benzodiazepínicos deve sempre ser analisado dentro do contexto clínico de cada paciente, considerando indicação, tempo de tratamento, benefícios esperados e possíveis efeitos sobre o sono.


Para quem quiser conhecer os detalhes da nossa pesquisa, o artigo científico pode ser consultado em Benzodiazepines and sleep architecture: a systematic review.


A discussão sobre sono, insônia e benzodiazepínicos continua sendo importante justamente porque qualidade do sono envolve muito mais do que simplesmente conseguir dormir.


Fonte: https://www.benthamdirect.com/content/journals/cnsnddt/10.2174/1871527320666210618103344


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Dr. Anderson Silva

CRMSP 152951 - RQE 61217


  • Mestre pelo Departamento de Psiquiatria da USP;
  • Médico Psiquiatra Assistente do Hospital Sírio-Libanês;
  • Professor Associado da Faculdade de Medicina de Santo Amaro;
  • Membro da International Association for Child and Adolescent Psychiatry and Allied Professions (IACAPAP);
  • Coordenador dos Cursos de Pós-graduação em Psiquiatria e Psiquiatra da Infância e Adolescência da Pós Médica/FABIN 2023 a 2026;
  • Psiquiatra no Projeto PROADI-SUS da Telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein 2020 a 2026;
  • Professor de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade 9 de Julho 2019 a 2021;
  • Supervisor da Residência de Psiquiatria da Secretaria Municipal de São Bernardo do Campo 2018 a 2020;
  • Editor Adjunto da Revista Debates em Psiquiatria 2022 a 2023;
  • Especialização em Saúde Mental da Infância e Adolescência pela Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência da UNIFESP;
  • Especialização em Dependência Química na USP;
  • Titulo de Especialista em Psiquiatria pelas Associações Brasileira de Psiquiatria e Médica Brasileira;
  • Cursos em The Harvard Medical School: Psychiatry 2014 e Psychopharmacology: A Masters Class(2015);
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